Bom dia!
A inflação na Zona do Euro avançou acima do patamar de 3% no mês de maio pela primeira vez desde 2023. Há três anos, a região via os preços acelerarem por causa do choque de energia causado pelas sanções impostas à Rússia com a invasão da Ucrânia. Agora, a guerra dos Estados Unidos contra o Irã fecha o Estreito de Ormuz e interrompe o abastecimento de petróleo e fertilizantes do planeta. As consequências começam a se materializar nos preços pagos pelo consumidor.
O CPI preliminar avançou 3,2% na comparação anual, enquanto a meta do Banco Central Europeu é que os preços fiquem ao redor de 2%. Inflação elevada costuma ser seguida de alta de juros, ainda que dirigentes do BCE venham tratando o assunto com cautela. Para investidores, a conta é inversamente proporcional: se os juros sobem, a bolsa tende a cair.
Só que, mais uma vez, os mercados financeiros estão desafiando a lógica. Os principais índices europeus avançam nesta terça-feira. Nos Estados Unidos, os futuros americanos recuam neste começo de manhã, após o S&P 500 registrar oito pregões seguidos de recorde.
Seria ingênuo dizer que investidores acordaram para a reescalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, com ataques a navios na passagem de Ormuz e bate-boca sobre os termos de um acordo cambaleante. Depois de tantas sequências de altas, a queda tímida desse começo de manhã está mais para uma realização de lucros. Na véspera, a Anthropic protocolou seu pedido sigiloso de IPO nos Estados Unidos, seguindo as operações bilionárias da concorrente OpenAI, dona do ChatGPT, e da SpaceX, de Elon Musk.
O EWZ, fundo que representa as ações brasileiras em Nova York, também começa o dia no negativo. A economia brasileira está, mais uma vez, sob pressão dos Estados Unidos. O governo americano concluiu uma investigação iniciada em julho de 2025 e propôs tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, deixando de fora itens como carne, café e aeronaves. Investidores passarão o dia fazendo as contas dos impactos sobre as diversas atividades, isso num momento em que o Ibovespa continua a afundar. Bons negócios.
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